Laura está com uma taça de vinho tinto na galeria de arte onde os seus trabalhos estão sendo expostos. Um trabalho de muitas obras, a vida sendo transformada em arte, ela diz.
Laura está vestida com a sua melhor roupa, algo de linho claro, sapatos italianos, fechados, algo casual. Os seus cabelos longos e cheios compõe o visual da artista. Laura está feliz e se sente acolhida. Todos demonstram encantamento com o seu trabalho. A ideia não é ganhar muito dinheiro e sim mostrar ao mundo a que veio. Os preços das obras estão bem acessíveis e às vezes até barato demais pela potência das obras. Mas Laura sempre teve questões com venda de obras por preços altos, acha que a arte deve ser acessível à todos, por ser em uma galeria, isso já é inacessível para alguns, então ela quer estar em sintonia e em paz com ela mesma.
Laura é requisitada a expor em outros lugares e também uma proposta de ter as suas obras usadas em cartões e em outros objetos. Laura está felicíssima. O trabalho estará exposto por lá por um mês.
Caminha até a sua casa com sorriso largo no rosto, mora em apto pequeno, mas muito confortável, cada objeto foi escolhido a dedo, passou um bom tempo sem móveis porque não queria qualquer um, queria escolher e que fosse acessível financeiramente. Assim que chega em casa, liga a sua trilha sonora especial, músicas de Elis Regina, Milton Nascimento, Maria Bethania, Caetano expandem pela sala, Laura dança, samba e sorri. Relembra das pessoas apreciando a sua arte, os comentários que recebeu, a sua profundidade foi percebida, até sobre a molduras a profundidade foi notada na escolha.
A mãe de Laura, demonstrou certo inquietamente ao ver as obras, é notável uma certa tristeza, ou pelo menos sentimentos fortes, fez um comentário meio confuso, Laura não deu muita atenção a ela. A tia também percebeu algo nas obras, porém teve outra abordagem, estava feliz por Laura e demonstrou isso. Linda, a irmã de Laura, também estava por lá, como sempre muito bem vestida e cheirosa.
Algumas visitas inusitadas também se fizeram presente, Laura não esperava, o seu ex-marido e filha apareceram por lá. Já não se viam por anos, mas por algum motivo a filha do ex marido viu algo em alguma mídia social e eles decidiram aparecer, o clima foi ameno, sem grandes tensões. Elogios vieram da parte deles, mas não ficaram por muito tempo. Laura não ligou muito.
Além da arte, Laura tem outro emprego, trabalha com crianças, adolescentes e mulheres, para poder ajudar na renda. Uma vida de fartura não é o objetivo, sim, uma vida confortável. Laura batalha por isso.
Mais um convite chega, para Laura trazer a sua arte e sua história para o teatro. Não sabe por onde começar e como fazer, mas quer conversar mais, algo muito precioso para Laura é tocado dentro dela, ser ouvida e vista. Laura lembra de Vasalisa, na floresta indo atrás de fogo. Quer se apresentar.
Laura vai a todos os ensaios, muitas conversas foram realizadas, quase não teve tempo para pintar, nesse período, mas foi por um bom motivo. O cenário é composto basicamente por suas obras, e o elenco: mulheres. As mulheres interpretam os homens. Ao final entra Laura, ao som de Djavan, com a sua última obra pintada, o fogo. Aplausos.
Laura foi vista, revista e aplaudida como ela sempre quis.