Quase tudo

Na minha adolescência quase tudo era brilho
Quase tudo era liberdade
Quase tudo era sobre ser livre. Tudo era rebeldia.
Quase tudo era amizade
Quase tudo era ódio
Quase tudo era raiva. Tudo era sobre ser feliz.
Na minha adolescência. Tudo virou sobre falsidade, falta de amor, destrato
Até que ele veio, no final da minha adolescência e tudo passou a ser amor, quase tudo.

Serei

Comprarei uma casa com janelas grandes e um jardim pequeno para que eu possa cuidar, ou talvez tenha uma varanda onde caiba flores, as minhas.
Farei também uma viagem pela Itália, visitarei lugares especiais, cantos não conhecidos, experimentarei algo não experimentado antes.
Vou dirigindo, sem medo.
Pintarei quadros e farei uma exposição, lembrarei do meu tio e avó, artistas.
Começarei a nadar e dançar, farei jazz, dança contemporânea e capoeira. Incluirei alguma dança africana que me faça sentido, que faça o meu corpo vibrar da mesma forma que acontece quando assisto alguma apresentação.
Responderei as perguntas sobre o amor com mais clareza.

Olhe, espie, fique, se desejar.

Vá embora, se quiser… mas, se for, deixe um bilhete, por cortesia.

Diga algo de bom e diga adeus.

Mas não prolongue a sua estadia, se ela não for necessária.

Não prolongue os seus sentimentos, se eles não forem profundos.

Apenas vá. Não olhe para trás. Apenas escreva: adeus.

E o ano é de 2025…

Quando eu me for, avise as pessoas que eu trabalho,
diga que por razões inesperadas, eu parti, mas foi um privilégio
trabalhar com essas pessoas. Diga-os que lhe desejo uma vida criativa.
Se não for pedir muito, lhes envie o seu contato, assim eles poderão te contactar caso precisem.

Se eu me for, não chore muito por mim.
Me sinto feliz, parte de mim.
Obrigada por ter me escolhido (você me escolheu?)
Ou nos escolhemos? Mesmo que em outro plano
Nas suas imperfeições, você foi perfeito
Você sempre foi amado, mesmo nos momentos de raiva
Deixe-me ir, sigo feliz.

Não quero caixão, quero contato com a terra ou
quero algo como os vikings, seguir ao mar em uma canoa
e ser queimada e minhas cinzas voando, ali, solta
um pouco para o mar, um pouco para ar, solta, feliz
coloque uma coroa de flores na minha cabeça, nada muito elaborado
algo simples, se possível, uma roupa clara e flores em volta do meu corpo
e deixe o meu corpo seguir ao mar, peça que alguém lance uma flecha e assim queimarei, mas só no corpo
Deixa que o fogo me consuma e me transforme em cinzas
seguirei no coração de cada um que toda vez lembrar de mim
Mas, deixe me ir.