Você se foi…
Não lembro de ter dito tchau
Não lembro a última vez que te vi
Nunca tivemos conversas profundas sobre a vida
Mal sei sobre você
Mal sei sobre mim para você
Com você se foi a raiva, a tensão, a violência
Uma vida
Ainda tenho parte de você em mim
Ainda lembro das caminhadas ao mar
Ver os peixes chegando no barco
Lembro de você cozinhando para nós
Não foi só medo
Não foi só destruição
Mas foi
Comprei rosas brancas.
(In memoriam- 21/09/2026)
Categoria: Poemas
As faltas
Eu queria ter te oferecido mais de mim
Mais amor
Mais abraços
Mais presença
Mais afeto
Queria ter só estado ao seu lado, mesmo não sabendo o que fazer
Sei que talvez ainda é tempo, mas será que ainda dá tempo?
Às vezes me parece que não tem amor, parece que você congelou por dentro
Parece que não tem presença
Não sei mais onde te encontrar
A vida entre a gente parece tão conflituosa
As suas faltas
A minha culpa
Não pude ser o que você gostaria que eu fosse
Não pude ser que eu gostaria de ter sido
Será que nos encontramos nas faltas?
Tem hora que a vida parece um mar de tão vasta que é
Tem hora que parece uma piscina vazia, sem água ou com um pouco água turva
E aí ligamos a água para enchê-la de novo, até que ela possa se tornar vasta, mais uma vez.
Nome
Talvez a vida seja esse monte de coisa que a gente mal sabe nomear
Só me pergunto, acordamos algo antes de vir parar nisso que chamamos de vida?
Quem inventou a palavra VIDA?
VIDA… soa bonito, mas quem a inventou?
Qual é a versão da vida? A que acordamos antes de vir? A que escolhemos enquanto estamos aqui? Ou esse pedacinho entre o nascimento e a morte e todos os acontecimentos que cabem nesse meio?
VIDA, gosto da pronúncia
como gosto como o meu nome é pronunciado, PATRICIA
A pesar de ter mais silabas, tem conexão, são palavras fortes,
com presença
tem som de respiro,
de fortaleza,
de leveza,
tem som.
Quem é você?
Como não sonhar o sonho que já foi sonhado?
Como não acreditar na fantasia que foi realidade?
Como não acreditar no sentimento que é tão forte?
Como não acreditar no desejo que faz o meu corpo revirar?
Como não acreditar nas vozes que ouço, me chamando e te chamando para um abraço?
E eu nem sei quem és tu, nem sei que forma tens… Como não acreditar no que sinto?
Talvez
Talvez não seja para mim
Talvez não foi acordado
Talvez não esteja no meu propósito de vida
Talvez esse capítulo não tenha sido escrito, nem o rascunho
E o que eu faço com todos esses pensamentos?
E o que eu faço com todo esse desejo?
O que eu faço com os sonhos?
O que eu faço com a fantasia, alimentada por cada filme romântico a que assisto?
O que faço com a imagem que tenho de você?
Transformo em arte
Em texto, contos e poesia
Em canção
Bailo
Danço para a lua
Deixo ir e entrego
Reverencio o sol
Reverencio a vida
E os acontecimentos, mesmo que você não esteja lá.