Hoje é dia de dançar sem medo

É carnaval gente bonita
Música para pular e ser feliz
Estou triste de felicidade
Estou com o coração fantasiado de máscara e tudo
Estou com purpurina no peito e saia, rodada, de véu colorido
Estou de cabelos soltos, enrolados, igual moça bonita apaixonada.

Olho para o horizonte a terra sem fim
Caminho sem medo
Escuridão com luz
A luz brilha sutilmente
O ar está refrescante
Vejo a lua no encontro com o mar
O mar, por sua vez, se movimenta em águas calmas e violentas, há um equilíbrio.
Um encanto nas ondas ao se movimentar.
Posso imaginar as águas nos meus pés.
Imagino que mergulho, sinto o sal nos meus lábios, salgando o meu corpo.

Mergulhando mais profundo posso ver o coral, a água viva, e o cardume de peixes listrados. Vejo o esverdeado da água que me parece convidativa, continuo ali. Preciso da água, preciso também da terra para sentir e a lua para admirar, o sol para me aquecer, preciso das estrelas para contar, das árvores para abraçar, preciso da casa de madeira com cortiças coloridas para morar.

Eu quero…

Acho que tudo que eu quero, você quer…
Mas é sobre mim. Eu quero me desvencilhar de você. Está forte.
Eu quero me atrever.
Eu quero o meu espaço do meu jeito.
Eu quero sumir, desaparecer, sem deixar vestígios.
Eu quero, eu quero, eu quero…
Eu não quero nada. Só não quero mais estar nessa confusão, nessa incerteza, nessa falta, nessa competitividade, nessa tristeza, nessa falta de ética.
Estou fazendo uma passagem, ainda não sei para onde.
Sinto que preciso morrer, para renascer. Sinto que preciso ir… sinto que…
Não sei o que eu sinto.
Estou despedaçada, em prantos.
Amargurada? Preciso ir… Preciso deixar ir.
Não sei como. Preciso de outro caminho.
Preciso morrer para nascer.

Pessoas tem loucuras diferentes

Querem chamar de loucura, mas só porque é mais fácil nomear, ao que foge aos sentidos.
Não me refiro à loucura do senso comum, ou, quem sabe, à mais presente.
Mas desejo falar da loucura que brilha, dotada de profundeza, que os ditos sãos não alcançam.
O que é ser louco?
Que tem muito contato com a alma? Palavras abruptas? Sem o controle social? A norma…
O que é ser louco? Essa pergunta persevera em mim…
Loucos… repito essa palavra, com todas as letras L O U C O S, repito com gosto
Com gosto de alma, com gosto de vida.
Loucos, loucas, loucxs… pode ser eu, você
Ao olhar de uns, “não pensantes”, ” sem razão”…
O que é ser louco?

E o ano é de 2025…

Quando eu me for, avise as pessoas que eu trabalho,
diga que por razões inesperadas, eu parti, mas foi um privilégio
trabalhar com essas pessoas. Diga-os que lhe desejo uma vida criativa.
Se não for pedir muito, lhes envie o seu contato, assim eles poderão te contactar caso precisem.

Se eu me for, não chore muito por mim.
Me sinto feliz, parte de mim.
Obrigada por ter me escolhido (você me escolheu?)
Ou nos escolhemos? Mesmo que em outro plano
Nas suas imperfeições, você foi perfeito
Você sempre foi amado, mesmo nos momentos de raiva
Deixe-me ir, sigo feliz.

Não quero caixão, quero contato com a terra ou
quero algo como os vikings, seguir ao mar em uma canoa
e ser queimada e minhas cinzas voando, ali, solta
um pouco para o mar, um pouco para ar, solta, feliz
coloque uma coroa de flores na minha cabeça, nada muito elaborado
algo simples, se possível, uma roupa clara e flores em volta do meu corpo
e deixe o meu corpo seguir ao mar, peça que alguém lance uma flecha e assim queimarei, mas só no corpo
Deixa que o fogo me consuma e me transforme em cinzas
seguirei no coração de cada um que toda vez lembrar de mim
Mas, deixe me ir.