Quase tudo

Na minha adolescência quase tudo era brilho
Quase tudo era liberdade
Quase tudo era sobre ser livre. Tudo era rebeldia.
Quase tudo era amizade
Quase tudo era ódio
Quase tudo era raiva. Tudo era sobre ser feliz.
Na minha adolescência. Tudo virou sobre falsidade, falta de amor, destrato
Até que ele veio, no final da minha adolescência e tudo passou a ser amor, quase tudo.

Serei

Comprarei uma casa com janelas grandes e um jardim pequeno para que eu possa cuidar, ou talvez tenha uma varanda onde caiba flores, as minhas.
Farei também uma viagem pela Itália, visitarei lugares especiais, cantos não conhecidos, experimentarei algo não experimentado antes.
Vou dirigindo, sem medo.
Pintarei quadros e farei uma exposição, lembrarei do meu tio e avó, artistas.
Começarei a nadar e dançar, farei jazz, dança contemporânea e capoeira. Incluirei alguma dança africana que me faça sentido, que faça o meu corpo vibrar da mesma forma que acontece quando assisto alguma apresentação.
Responderei as perguntas sobre o amor com mais clareza.

Olhe, espie, fique, se desejar.

Vá embora, se quiser… mas, se for, deixe um bilhete, por cortesia.

Diga algo de bom e diga adeus.

Mas não prolongue a sua estadia, se ela não for necessária.

Não prolongue os seus sentimentos, se eles não forem profundos.

Apenas vá. Não olhe para trás. Apenas escreva: adeus.

Hoje eu canto…

Hoje eu canto Como os Nossos Pais para celebrar a Maria, Maria que há dentro de cada um e de mim.
Debaixo D’agua o meu corpo se perde e então, Agora é Chuva no Mar.
Não Enche, Gente Feliz não enche o saco! “E eu lhe pergunto, quem lhe deu tanto Axé? Eu posso te comer só para cuspir depois.”
E para entender O Que É o Amor, é importante entender que nós, mulheres, principalmente, We Don’t Need Another Hero.
O Meu Mundo Ficaria Completo se as Ovelhas Negras, também, fossem vistas como parte e não só excluídas.
Não Mexe Comigo, pois posso ir de Pagu até Hey Jude, paz e amor e te perguntar O Que é O Que é? É Hoje, o dia de ser feliz e atravessar o mar.

Aceito flores

Aceito, Tulipas vermelhas para lembrar a cor do batom e do esmalte que usei naquele encontro que tivemos. Mas ouvi que parecia uma PUTA!
Se vc soubesse o quanto gosto do som dessa palavra, ha! Acho que você não teria falado.
Aceito flores, Violetas, para lembrar do nosso aniversário de casamento, nunca comemorado.
Copos de leite, para lembrar o dia do nosso casamento, o dia mais feliz de todo o relacionamento. Eu, vivendo o meu único dia de princesa, livre, dançante e bêbada.
Aceito também Crisântemos, pode coloca-las na sala de estar para lembrar dos dias infelizes, que foi matando, pouco a pouco o casamento… fizemos isso.
Aceito, também, Rosas, para lembrar da suavidade, a paixão que nunca conseguimos oferecer um ao outro.
Aceito as orquídeas, para lembrar de quando nos conhecemos e quando você só trabalhava para mim, eu recebia orquídeas, me lembra a fragilidade e ao mesmo tempo da beleza e da fugacidade dos encontros….Ah! Os encontros…
Aceito, as flores que você escolher para lembrarmos dos anos que vivenciei sendo mãe solo, porque você queria vingança.
Aceito, Margaridas, para lembrar do dia que esperei que você fosse ser carinhoso ou pelo menos escutasse sobre o meu dia difícil.
Pode ser um buquê colorido, para lembrar cada passagem dessa.

Eu

Eu, Patrícia, filha de corretores de imóveis, pessoas que intermediavam sonhos, neta de metalúrgico e uma artesã de carteirinha, costureira, escritora, cuidadora, neta de coração de um casal que ofereceu amor, ao pequeno garoto que se tornou o meu pai, do jeito deles, neta de avos que nunca conheci, mas o meu nome foi em homenagem a ela, bonita, cuidadosa, morreu do coração, lodo do coração e deixou 5 filhos e eu que vim anos depois, sinto a falta dela mesmo sem nunca ter estado em seus braços.
Sou sobrinha de artistas, musicista, bailarina, vitralista, atores, artista da cozinha… prima de um surfista, sou prima também de pastor e cantora.
Sou bisneta de um fazendeiro e uma mulher que usava batom vermelho já na sua época, bonita e vaidosa, sou bisneta de desconhecidos, mas incluídos no meu coração.
Sou tia de dançarina e irmã de uma moça que adora música, dançar e natureza. Sou mãe de dois, um que não nasceu, mas um que veio para os meus braços, é um cara muito bacana, artista, escritor, filho de Xavante.
Sou tia também de não nascidos, Guilherme que viveu por apenas pouquíssimos dias, sou irmã e prima de não nascidos…
A arte me fez e me ocupa assim como a vida e morte.
Parte de mim é cor, som e arte. Parte de mim é desconhecida. Sou transformação.
Essa sou eu e assim me tornei psicóloga e com toda essa bagagem, virei artista das emoções, escritora, pintora, dançarina e tudo o que faço, a arte é a base… Me tornei, me torno todos os dias.