Sinto que existo, estou viva.
Cantei e dancei. Tenho voz e corpo.
Toco-me, sinto-me. Olho-me. Acaricio-me.
Me sinto feliz, sozinha, comigo.
Fui feliz por vários instantes, hoje.
Colhi e me vi.
Olhei para dentro, me achei.
Sinto o ar que entra e que sai.
Sinto as batidas do meu coração. Soam como um sino que chama por amor.
Espero por palmas, espero por público. Tenho.
Bato palmas para quem vejo no espelho. Será o suficiente?
Anseio por mais, muito mais. Por quê?
Categoria: 2022
Hoje é dia de dançar sem medo
É carnaval gente bonita
Música para pular e ser feliz
Estou triste de felicidade
Estou com o coração fantasiado de máscara e tudo
Estou com purpurina no peito e saia, rodada, de véu colorido
Estou de cabelos soltos, enrolados, igual moça bonita apaixonada.
Olho para o horizonte a terra sem fim
Caminho sem medo
Escuridão com luz
A luz brilha sutilmente
O ar está refrescante
Vejo a lua no encontro com o mar
O mar, por sua vez, se movimenta em águas calmas e violentas, há um equilíbrio.
Um encanto nas ondas ao se movimentar.
Posso imaginar as águas nos meus pés.
Imagino que mergulho, sinto o sal nos meus lábios, salgando o meu corpo.
Mergulhando mais profundo posso ver o coral, a água viva, e o cardume de peixes listrados. Vejo o esverdeado da água que me parece convidativa, continuo ali. Preciso da água, preciso também da terra para sentir e a lua para admirar, o sol para me aquecer, preciso das estrelas para contar, das árvores para abraçar, preciso da casa de madeira com cortiças coloridas para morar.
Aqui tem…
Mulher
Selvagem
Leoa
Dançante
Poeta
Atriz
Artista
Palhaça
Medonha
Vadia
Vampira
Mais selvagem
De lua
Amorosa
Puta
Eu quero…
Acho que tudo que eu quero você quer…
Mas é sobre mim. Eu quero me desvencilhar de você. Está forte.
Eu quero me atrever.
Eu quero o meu espaço do meu jeito.
Eu quero sumir, desaparecer, sem deixar vestígios.
Eu quero, eu quero, eu quero…
Eu não quero nada. Só não quero mais estar nessa confusão, nessa incerteza, nessa falta, nessa competitividade, nessa tristeza, nessa falta de ética.
Estou fazendo uma passagem, ainda não sei para onde.
Sinto que preciso morrer, para renascer. Sinto que preciso ir… sinto que…
Não sei o que eu sinto.
Estou despedaçada, em prantos.
Amargurada? Preciso ir… Preciso deixar ir.
Não sei como. Preciso de outro caminho.
Preciso morrer para nascer.
O útero criado
Porque o útero que estou é tão grosso?
Tento estourar e não consigo
Porque está tão sufocante? Cadê o ar?
– Me notas?
-É perigoso aí fora?
Luto contra
Consigo rasga-te?
Sou uma vítima por estar dentro desse espaço grosso?
Falta-me coragem? Medo?
Ser protegida é o meu objetivo?
(” Sinto que quero nascer, mas não consigo” C. Lispector)