E o ano é de 2019…

A morte chega perto
digo: Não te atrevas!
dos afastamos, seguimos lados opostos
para um dia de forma mais suave nos encontramos
novamente.

O amor é um sentimento de lua
ora cheia, ora minguante
ora novo, ora crescente.


Como é a felicidade? Pergunto eu
– Azul, rosa e preta, responde alguém lá no fundo
– Aonde ela está?
-Lá no fundo.
-Onde? Não a vejo…
– No meio das flores azul, rosa e preta, vê?
– Não! Onde? Pergunto mais enfática.
– Só você será capaz de encontra-la, responde consciente e serena.

Coração aberto – mente sã
Sangue nas veias – mente sã
Olhos abertos – mente sã
Pernas em movimento – mente sã

Filho estudando
Filho com saúde
Filho próspero
Filho amando
Filho sendo amado
Filho unido
Filho respeitado
Filho paciente
Filho consciente
Filho vivo.

Quem sou eu?
Brisa forte
Emoção a flor da pele
Portas batendo
Mar agitado
Águas claras
Felino, preto
Brasa acesa
A menina com o balão na mão e com
caderno de coração e vestido de princesa
Sou cobra que rasteja veloz
Sou tigre, certeiro
Sou gato pequeno e esperto
Sou peixe que nada solto no mar de marinheiros que tentam preservar-lo e ora tentam mata-lo.

Querida

Tenho pensado muito em você.
Ando com muito medo de seguir como você, acho que a sua história se faz presente. Fico imaginando como foi para a você a tempos atrás, gerações atrás, com um filho nos braços e ser apontada. Deve ter sido muito difícil. Não sei se alcanço como foi.
Eu gostaria tanto de poder saber mais sobre você, as verdades que me chegaram sobre você, tenho porquês. Gostaria de saber como foi a sua vida. Usar batom vermelho era algo que você gostava…
Sinto você muito próxima, vejo fotos e posso ter o seu rosto no meu coração.
Você é especial.
Honro a sua história, mesmo sabendo pouco sobre você.
Queria saber mais e mais, sobre a sua partida, como foi?
Tenho conversas com você dentro de mim. Tenho você dentro de mim.

Com amor,
Patricia

Eu não sei como chegamos até aqui

Tivemos duas conversas, e o que dizer?
Quero ser sincera, mas como?
Como fazer isso sem causar raiva? Sei que não tens abertura para ouvir.
Gostaria de mais honestidade entre a gente. Não conseguimos.
Foi difícil escutar que tudo foi uma mentira, mas tens razão, foi.
Eu nunca quis isso, cheguei a te falar, lá traz… lembras? Eu não me escutei e você não me escutou.
Acho que queria só um novo capítulo na minha vida. Talvez uma fuga da vida que eu tinha, a ideia de tudo novo, vida nova… quem não gosta de instigantes novidades?
O problema é que não vi o preço. Convivíamos pouco, eu já tinha reticencias com a sua volta. Nunca fomos próximos, de verdade.
Apesar de tudo, você teve um papel fundamental na minha vida, me protegeu, da forma que conseguiu. Obrigada.
Só não consegui ter a certeza que o melhor seria se parássemos só nisso.
A decepção e a pressão com a vida acadêmica, queria que tudo acontecesse rápido, afinal ja tinha uma certa experiência. Sem grandes perspectivas de quando aconteceria essa grande coisa que eu esperava para mim, veio o convite. Achei que daria o meu jeito, achei que seria mais fácil assim, essa é a verdade. Achei que a vida podia ser mais leve, “protegida”. Não foi. Inferno!
Acho que queria algo grande demais. De novo.
O que eu quero? Você sabe o que eu quero, você também quer.
Liberdade, para ser, definitivamente é uma das coisas que eu quero.

Com carinho,
Patricia

Laura

Laura está com uma taça de vinho tinto na galeria de arte onde os seus trabalhos estão sendo expostos. Um trabalho de muitas obras, a vida sendo transformada em arte, ela diz.
Laura está vestida com a sua melhor roupa, algo de linho claro, sapatos italianos, fechados, algo casual. Os seus cabelos longos e cheios compõe o visual da artista. Laura está feliz e se sente acolhida. Todos demonstram encantamento com o seu trabalho. A ideia não é ganhar muito dinheiro e sim mostrar ao mundo a que veio. Os preços das obras estão bem acessíveis e às vezes até barato demais pela potência das obras. Mas Laura sempre teve questões com venda de obras por preços altos, acha que a arte deve ser acessível à todos, por ser em uma galeria, isso já é inacessível para alguns, então ela quer estar em sintonia e em paz com ela mesma.
Laura é requisitada a expor em outros lugares e também uma proposta de ter as suas obras usadas em cartões e em outros objetos. Laura está felicíssima. O trabalho estará exposto por lá por um mês.
Caminha até a sua casa com sorriso largo no rosto, mora em apto pequeno, mas muito confortável, cada objeto foi escolhido a dedo, passou um bom tempo sem móveis porque não queria qualquer um, queria escolher e que fosse acessível financeiramente. Assim que chega em casa, liga a sua trilha sonora especial, músicas de Elis Regina, Milton Nascimento, Maria Bethania, Caetano expandem pela sala, Laura dança, samba e sorri. Relembra das pessoas apreciando a sua arte, os comentários que recebeu, a sua profundidade foi percebida, até sobre a molduras a profundidade foi notada na escolha.
A mãe de Laura, demonstrou certo inquietamente ao ver as obras, é notável uma certa tristeza, ou pelo menos sentimentos fortes, fez um comentário meio confuso, Laura não deu muita atenção a ela. A tia também percebeu algo nas obras, porém teve outra abordagem, estava feliz por Laura e demonstrou isso. Linda, a irmã de Laura, também estava por lá, como sempre muito bem vestida e cheirosa.
Algumas visitas inusitadas também se fizeram presente, Laura não esperava, o seu ex-marido e a filha apareceram por lá. Já não se viam por anos, mas por algum motivo a filha do ex marido viu algo em alguma mídia social e eles decidiram aparecer, o clima foi ameno, sem grandes tensões. Elogios vieram da parte deles, mas não ficaram por muito tempo. Laura não ligou muito.
Além da arte, Laura tem outro emprego, trabalha com crianças, adolescentes e mulheres, para poder ajudar na renda. Uma vida de fartura não é o objetivo, sim, uma vida confortável. Laura batalha por isso.
Mais um convite chega, para Laura trazer a sua arte e sua história para o teatro. Não sabe por onde começar e como fazer, mas quer conversar mais, algo muito precioso para Laura é tocado dentro dela, ser ouvida e vista. Laura lembra de Vasalisa, na floresta indo atrás de fogo. Quer se apresentar.
Laura vai a todos os ensaios, muitas conversas foram realizadas, quase não teve tempo para pintar, nesse período, mas foi por um bom motivo. O cenário é composto basicamente por suas obras, e o elenco: mulheres. As mulheres interpretam os homens. Ao final entra Laura, ao som de Djavan, com a sua última obra pintada, o fogo. Aplausos.
Laura foi vista, revista e aplaudida como ela sempre quis.

Quanta falta você me faz

Hoje você faria anos e precisei vir aqui, te escrever.
As minhas lembranças de você, não são muitas, mas trago você comigo, a sua história, honro a sua história.
Mas tenho perguntas: porque teve que ser assim? Porque você não pode estar aqui comigo? Porque me abandonou? Mesmo sabendo que não foi assim, mas é assim que me vem.
Tenho tanto para te contar, tantas histórias, vivências, será que nos daríamos bem? Seríamos próximos? Acredito que sim. Sinto a sua falta.
Na minha fantasia seríamos grandes amigos e você me ensinaria muitas coisas e eu seria aquela pentelha que te pediria para me ensinar, só para passar mais tempo com você. Talvez seríamos muito próximos. Talvez moraríamos juntos e brigaríamos por sermos teimosos, talvez em algum momento eu acharia você insuportável, mas todas às vezes que eu precisasse de você, você estaria lá e deixaria eu encostar a cabeça no sue ombro quando eu estivesse cansada.
Tem um vazio dentro de mim, enorme do que não vivemos.
A nossa história foi escrita no talvez, mas mesmo assim ela existe.
Te dou um abraço muito forte com todo o meu amor, hoje, no seu aniversário.
Com todo o meu amor,
Espero que um dia a gente se encontre, de novo.

(31/07/2022)

Notas de uma parceria

(continuação)

Algumas coisas tem sido muito difíceis. Não te alcanço, não sei como dizer. Estamos tão distantes. Já fomos próximos? Fomos? A imagem, o status, os nomes atribuídos dados depois do papel assinado da nossa parceria, nos traz algo…
Mas, não temos afinidades, não compartilhamos as nossas vidas… quem somos nós juntos?
Somos estranhos um ao outro e juntos. Ofensa é moeda de troca, aceitação não existe, assim nos calamos. Porque ainda temos essa parceria? Porque?

O que necessitamos um do outro? Necessitamos um do outro?
Nada é suficiente.

Enfim, digo a palavra, e é isso que quero.

Agradeço o tempo da nossa parceria. Bons momentos foram registrados, risadas, conversas e o fim.
Preciso ir, não consigo mais, nesse modelo.
Espero que me compreenda e que pelo menos o que vivemos de bom seja registrado.
Assim assinamos o papel para a finalização desta, espero que seja assim, com carinho.

Patricia
(Maio/2022)