Olhe, espie, fique, se desejar.

Vá embora, se quiser… mas, se for, deixe um bilhete, por cortesia.

Diga algo de bom e diga adeus.

Mas não prolongue a sua estadia, se ela não for necessária.

Não prolongue os seus sentimentos, se eles não forem profundos.

Apenas vá. Não olhe para trás. Apenas escreva: adeus.

Hoje eu canto…

Hoje eu canto Como os Nossos Pais para celebrar a Maria, Maria que há dentro de cada um e de mim.
Debaixo D’agua o meu corpo se perde e então, Agora é Chuva no Mar.
Não Enche, Gente Feliz não enche o saco! “E eu lhe pergunto, quem lhe deu tanto Axé? Eu posso te comer só para cuspir depois.”
E para entender O Que É o Amor, é importante entender que nós, mulheres, principalmente, We Don’t Need Another Hero.
O Meu Mundo Ficaria Completo se as Ovelhas Negras, também, fossem vistas como parte e não só excluídas.
Não Mexe Comigo, pois posso ir de Pagu até Hey Jude, paz e amor e te perguntar O Que é O Que é? É Hoje, o dia de ser feliz e atravessar o mar.

Aceito flores

Aceito, Tulipas vermelhas para lembrar a cor do batom e do esmalte que usei naquele encontro que tivemos. Mas ouvi que parecia uma PUTA!
Se vc soubesse o quanto gosto do som dessa palavra, ha! Acho que você não teria falado.
Aceito flores, Violetas, para lembrar do nosso aniversário de casamento, nunca comemorado.
Copos de leite, para lembrar o dia do nosso casamento, o dia mais feliz de todo o relacionamento. Eu, vivendo o meu único dia de princesa, livre, dançante e bêbada.
Aceito também Crisântemos, pode coloca-las na sala de estar para lembrar dos dias infelizes, que foi matando, pouco a pouco o casamento… fizemos isso.
Aceito, também, Rosas, para lembrar da suavidade, a paixão que nunca conseguimos oferecer um ao outro.
Aceito as orquídeas, para lembrar de quando nos conhecemos e quando você só trabalhava para mim, eu recebia orquídeas, me lembra a fragilidade e ao mesmo tempo da beleza e da fugacidade dos encontros….Ah! Os encontros…
Aceito, as flores que você escolher para lembrarmos dos anos que vivenciei sendo mãe solo, porque você queria vingança.
Aceito, Margaridas, para lembrar do dia que esperei que você fosse ser carinhoso ou pelo menos escutasse sobre o meu dia difícil.
Pode ser um buquê colorido, para lembrar cada passagem dessa.

Eu

Eu, Patrícia, filha de corretores de imóveis, pessoas que intermediavam sonhos, neta de metalúrgico e uma artesã de carteirinha, costureira, escritora, cuidadora, neta de coração de um casal que ofereceu amor, ao pequeno garoto que se tornou o meu pai, do jeito deles, neta de avos que nunca conheci, mas o meu nome foi em homenagem a ela, bonita, cuidadosa, morreu do coração, lodo do coração e deixou 5 filhos e eu que vim anos depois, sinto a falta dela mesmo sem nunca ter estado em seus braços.
Sou sobrinha de artistas, musicista, bailarina, vitralista, atores, artista da cozinha… prima de um surfista, sou prima também de pastor e cantora.
Sou bisneta de um fazendeiro e uma mulher que usava batom vermelho já na sua época, bonita e vaidosa, sou bisneta de desconhecidos, mas incluídos no meu coração.
Sou tia de dançarina e irmã de uma moça que adora música, dançar e natureza. Sou mãe de dois, um que não nasceu, mas um que veio para os meus braços, é um cara muito bacana, artista, escritor, filho de Xavante.
Sou tia também de não nascidos, Guilherme que viveu por apenas pouquíssimos dias, sou irmã e prima de não nascidos…
A arte me fez e me ocupa assim como a vida e morte.
Parte de mim é cor, som e arte. Parte de mim é desconhecida. Sou transformação.
Essa sou eu e assim me tornei psicóloga e com toda essa bagagem, virei artista das emoções, escritora, pintora, dançarina e tudo o que faço, a arte é a base… Me tornei, me torno todos os dias.

Carta aos brasileiros

Depois de 5 anos morando fora, escrevi uma carta dizendo, não venham morar fora do Brasil. Mas não seria muito infantil, irresponsável da minha parte dizer algo assim… Acho que minha experiência nesses 5 anos foram muito pautadas em atravessamentos na exclusão, na separação e de habitar em espaços totalmente desconhecidos.

Hoje, com 8 anos morando fora, modifico um pouco essa carta escrita a um tempo atrás, tentarei misturar os sentimentos, não deixando de trazer os sentimentos que me habitaram e que ainda habitam.

No Brasil, temos um péssimo hábito de achar que o que está no exterior é muito melhor. Isso se torna um peso quando você passa a vivenciar o dia-a-dia no exterior. Claro, que existem coisas melhoras, claro que certas coisas funcionam melhor que o Brasil, porém o povo brasileiro e as terras brasileiras até o meu pequeno conhecimento de mundo são inigualáveis. Somos profundos, criativos e especiais. A minha frustração tem sido muito grande, em perceber que eu era essa pessoa que achava isso e me deparar com uma realidade que na verdade, é muito diferente que algumas pessoas pensam no Brasil.

Existe uma burocracia enorme por aqui, e uma desorganização também. A imagem de perfeição (ou quase perfeição) cai por terra.

Aqui se trabalha muito, pessoas trabalhando 12 horas por dia é muito comum, principalmente se você precisa se sustentar e vem sem um trabalho já aqui. Existe possibilidades de turnos de 4 horas, porém isso não sustenta uma casa ou necessidades básicas.
Nos trabalhos, dificilmente terá uma divisão de tarefas igualitárias, todos fazem de tudo, inclusive limpeza.
A “justiça do trabalho” aqui, não é forte, processos custam muito dinheiro.

O povo é educado e amigável até a página 5, e o racismo e a xenobia são muito presentes de forma diplomática. O que torna tudo enlouquecedor.

Ter carro, casa, sim, é possível, as custas de muito trabalho, sem ouvir a sua língua, sem as paisagens maravilhosas do Brasil e sem a hospitalidade do brasileiro.

O tempo – clima- passa ser algo que você nunca notou, mas agora vai passar a ser algo bem notável.

Hoje, depois de 8 anos, digo que para queira vir, venha, mas venha com os pés no chão, eu não vim assim.

O sentimento de ser estrangeira, que já existia em mim no Brasil, se fez mais forte me trazendo desdobramentos bem dolorosos do meu ser.

Carta de interesse

Escrevo essa carta para demonstrar o meu interesse em trabalhar nessa area.

Estou em busca de um lugar onde seja um espaço acolhedor, de crescimento e com um olhar aprofundado para o desenvolvimento humano.

Olhei o seu espaço e gostei do que vejo, envio, então a minha carta de interesse. 


Além das minha qualificações, os diplomas, me formei, dentro dos conformes pedidos, em uma universidade onde adquiri conhecimentos teóricos. Na minha prática de estágio, fui praticar e assim me vi, frente a frente a outro ser humano com um pouco mais de teoria, porém muita aberta aos afetos.
Como o diploma é tão importante dentro de todas as performances necessárias para atuar nesse mundo emendei em outra jornada teórica de mais um diploma. Pude aprofundar teoricamente e também pessoalmente porque é cada obstáculo performático que nos deparamos que fica difícil descrever. Não tenho a ilusão que isso vai acabar, mas que eu também possa trazer o meu lado não performático, de incertezas, do não-saber e do meu choro silenciado porque muitos vezes precisei mostrar a imagem de forte, e forte na nossa sociedade ainda é atrelada a não sentir, infelizmente.
Poderia mencionar minhas diversas experiências mais ricas que os meus conhecimentos teóricos, poderia mencionar o não nascimento de um filho e o nascimento de um filho, poderia falar dos tipos de relacionamentos que tipos que por mais difíceis me ajudaram a me tornar quem sou, poderia falar das mulheres que me trouxeram muita sabedoria com a sua não sabedoria, poderia falar do desenvolvimento da minha espiritualidade e também das minhas experiencias profissionais atuando com as pessoas que às vezes transformaram a minha vida em um inferno e eu depois de um certo tempo queimei nesse inferno e me refiz. Ah! As pessoas…por mais difícil que eu acho que somos, ainda vejo que nas relações e onde mais crescemos e olha que esse frase é um custo para mim de dizer, mas digo. Insisto. Ainda insisto nas pessoas.


Tenho também algo a falar sobre sobre as minhas atuações profissionais, experiências e conhecimentos teóricos mas acho que a sensibilidade do aprofundamento das relações seriam mais importantes para esse cargo, com pessoas.