Quanta falta você me faz

Hoje você faria anos e precisei vir aqui, te escrever.
As minhas lembranças de você, não são muitas, mas trago você comigo, a sua história, honro a sua história.
Mas tenho perguntas: porque teve que ser assim? Porque você não pode estar aqui comigo? Porque me abandonou? Mesmo sabendo que não foi assim, mas é assim que me vem.
Tenho tanto para te contar, tantas histórias, vivências, será que nos daríamos bem? Seríamos próximos? Acredito que sim. Sinto a sua falta.
Na minha fantasia seríamos grandes amigos e você me ensinaria muitas coisas e eu seria aquela pentelha que te pediria para me ensinar, só para passar mais tempo com você. Talvez seríamos muito próximos. Talvez moraríamos juntos e brigaríamos por sermos teimosos, talvez em algum momento eu acharia você insuportável, mas todas às vezes que eu precisasse de você, você estaria lá e deixaria eu encostar a cabeça no sue ombro quando eu estivesse cansada.
Tem um vazio dentro de mim, enorme do que não vivemos.
A nossa história foi escrita no talvez, mas mesmo assim ela existe.
Te dou um abraço muito forte com todo o meu amor, hoje, no seu aniversário.
Com todo o meu amor,
Espero que um dia a gente se encontre, de novo.

(31/07/2022)

Notas de uma parceria

(continuação)

Algumas coisas tem sido muito difíceis. Não te alcanço, não sei como dizer. Estamos tão distantes. Já fomos próximos? Fomos? A imagem, o status, os nomes atribuídos dados depois do papel assinado da nossa parceria, nos traz algo…
Mas, não temos afinidades, não compartilhamos as nossas vidas… quem somos nós juntos?
Somos estranhos um ao outro e juntos. Ofensa é moeda de troca, aceitação não existe, assim nos calamos. Porque ainda temos essa parceria? Porque?

O que necessitamos um do outro? Necessitamos um do outro?
Nada é suficiente.

Enfim, digo a palavra, e é isso que quero.

Agradeço o tempo da nossa parceria. Bons momentos foram registrados, risadas, conversas e o fim.
Preciso ir, não consigo mais, nesse modelo.
Espero que me compreenda e que pelo menos o que vivemos de bom seja registrado.
Assim assinamos o papel para a finalização desta, espero que seja assim, com carinho.

Patricia
(Maio/2022)

À Dona

Eu sinto muito por termos ficado tanto tempo lá.
Imagino o quão ruim essa situação pode ter sido para você. Ser dona de algo e não conseguir se apropriar disso como seu. Foi injusto com você. Não sei nem se enquanto estávamos lá pensamos em você, eu possível não, era muito pequena. Mas isso também foi injusto.
Brigas a todo o redor, afundados em dívidas, problemas e acusações era que se passava e no meio disso você, sem ter nada a ver.
Eu realmente sinto muito e peço desculpas, por mim e pela minha família.
Deixo o meu profundo sentimento de desgosto pelo o que aconteceu e desejo que você e os seus tenham uma boa caminhada.
Esse lugar foi tudo na minha vida, na minha infância.
Vivi os melhores e os piores momentos da minha vida lá.
Cada canto daquele espaço está na minha memória e vagueia pela minha mente e sonhos. Lá tem cheiro de infância e vazio, vazio da minha infância.
Não sei porque decidi ter dizer isso, talvez na tentativa de aliviar um pouco a situação, não sei bem.
Desejo tudo bem e que você encontre melhores pessoas que a minha familia no seu caminho.

Adeus.

Notas de uma parceria…

Não sei muito o porquê dessa carta, mas ela me veio nesse momento e decidi te escrever.
Primeiro queria dizer, muito obrigada. Você me ajudou muito no meu aprofundamento, me conhecer mais e perceber coisas em mim que até então não tinha conseguido ver. Não tem sido fácil esse reconhecimento, mas vejo a sua importância. A sua parceria tem sido fundamental, nesse ponto, me trazendo reflexos, espalhamentos e projeções. Sinto que essa parceria caminha para o fim, acho que você também sente isso, como poderemos dizer isso um ao outro?
Como é ter uma parceria com alguém que não faz mais sentido?
Entendo a sua posição de me cobrar, exigir igualdade, afinal falo muito sobre isso, igualdade nas desigualdades e acredito também que não dá só para ficar na fala, e você tem me ajudado a olhar para isso. Olhar e perceber o meu lugar nessa parceria tem sido interessante, sou a que faço a limpeza e cuido da manutenção? Me sinto muitas vezes controlando essa área, talvez, porque veja fazendo isso bem, algo preciso me ver fazendo bem. Porém, estar nesse lugar sempre, me traz uma ideia do quartinho dos fundos e você com o restante “da casa”. Um modelo de parceria de antigamente, homem no controle financeiro e a mulher com o restante. Anseio por igualdade. Seria só no discurso?
Mediante a problemas não ditos, não olhados entre nós, a jornada do meu auto-conhecimento tem sido solitária, eu tenho procurado espaços para me desenvolver. Deveríamos falar sobre a falta de tesão nessa parceria?
Quais são as nossas expectativas em relação ao outro?
Não tenho mais tanta vontade da sua presença, porém ansio por presenças, quero estar ao redor de pessoas que tenham o mesmo anseio. Sinto falta do meu passado, antes de conhecer, sabe aquele tempo?
Imagino que você também anseia por mais, isso não te incomoda?
Temos abertura para falar tudo um com outro, ou nossa parceria se restringe somente a um contrato, ao papel de cada um?
Você já cogitou a hipótese que certos pessoas ao seu redor não me interessa estar com eles? Já cogitou que a divisão nessa parceria está meio desigual? Acredito que para os dois lados…
Fico por aqui, com um obrigada, mas também percebendo que os nossos caminhos serão diferentes.

Patricia
(Nov/2021)

Carta para você

Você não estava lá para me ensinar a ser forte, como eu achava que você era.
Você não se tornou o meu heroí quando eu precisei que você fosse.
Você não esteve lá para me defender das pessoas com intenções duvidosas que se aproximaram de mim, achei que eram legais, achei que ia me oferecer o que você não me ofereceu.
Você não estava lá para desbravar o mundo comigo e me ensinar truques de sobrevivência.
Você não foi admirável.
Você não me protegeu e não me ajudou a ser forte.
Você não me ensinou sobre honestidade.
Você não foi o meu exemplo.
A sua fortaleza estava em agredir.
Você nunca ligou muito para quem estava a sua volta.
O meu ódio se voltou contra outros porque protegi você até onde pude.
Cheguei a ser como você, me sentindo meio livre, debochava da vida.
Mas você feriu e com força, pessoas que eu amava. Você excluiu….
Você deixou um vazio, uma marca, uma ferida aberta. Por diversas vezes questionei a vida, e o seu valor, como você. Quis que você se fosse.
Me afastei.
Retornei um pouco mais constituída. Parte de você já não estava mais lá.
Conseguimos rir juntos, de novo.

Patricia

Estou triste por um lado… (Notas de uma parceria)

Me iludi de diversas formas, mesmo sabendo de muitas coisas. Achei que eu iria ter um lugar, que eu iria me sentir mais poderosa. Criei a expectativa de uma família feliz, apesar de tudo.
Foi tudo do avesso.
Esse lugar, estou descobrindo aos poucos, dentro de mim. A família feliz ainda não achei. Acho que estou no escuro, ainda.
Apesar de tudo, você me fez sair desse lugar convencional. Que ironia, né?
Sinto a minha dificuldade em fazer parcerias. Não sei qual o fio (da parceria) que nos une.
Estou tentando achar paz e sabedoria para lidar com isso. Sinto uma não parceria de todos. Inclusive vindo de mim.
Não temos abertura.
Acho difícil lidar com você.
Não sei o que sente e suas opiniões, porem, tenho dificuldade de aceitá-la quando você fala. Estou tentando.
Tente se abrir mais comigo, assim, poderemos criar intimidade.
Eu não consigo mais me abrir com você, como antes.
Eu que me fechei?
Me sinto atacada e inferiorizada por você. Viver com você ê ter que me defender sempre. Sempre me colocando para baixo…
Conhece-te? Sabes do que falo?
Vamos falar sobre os nossos passados? Por que você colocou uma pedra sobre isso?
Obrigada por tudo, inclusive por me fazer sentir desconfortável e querer seguir…

Patricia
(04/2020)