Uma noite de tarô e vinho

Chamei umas amigas do grupo de tarô para a minha casa para fazermos uma noite de tarô regada a vinho. Íamos colocarem prática tudo o que estávamos aprendendo
Chiara é que está mais avançada nos estudos, aplicada, pesquisa tudo o que pode e manda os resultados da pesquisa para gente no nosso grupo. Luas no tarô é o nome do grupo.
Tiana é a que sempre posta um emoji, nem sei se lê mas acho simpático da parte dela sempre responder.
Alina é a que menos interage apesar de sempre estar presente nos encontros presenciais, nao gosta muito de falar da vida dela, mas sempre estar atenta nas conversas.
E eu, eu sou uma mistura de todas, gosto do encontro, das gargalhadas, das vozes que começam baixo e daqui a pouco esta as gargalhadas por conta do vinho. Gosto da vida que vai se fazendo em nós, deixando marcas cada vez mais acentuadas nos nossos rostos e nas nossas histórias.
Nos encontros compartilhamos nossas perdas. Eu perdi um filho, amores e parentes, tenho histórias que não foram vividas e outras que foram vividas aos extremos. Chiara perdeu o irmão em um acidente trágico. Alina e Tiana nunca compartilharam nada, sabe-se lá se guardam a dor para elas ou talvez essa dor nunca as tenham alcançado. Sorte a delas!
Tiana gosta de falar dos seus envolvimentos amorosos, cada história mais gostosa que a outra. Não tem gênero, cor ou textura certa, cada hora é de um jeito.
Tiana parece que é feliz assim, carrega com ela uma luz e alegria própria.
Alina, apesar de mais calada, traz paz para o grupo, um sorriso aqui e outro ali, alimenta sempre o silêncio. O que seria da paz se não fosse pelo silêncio?
Eu estou na mistura de todas elas. Uma hora sou a Imperatriz, uma das cartas que mais se apresentam para mim. Às vezes sou a Sacerdotisa; ora o Louco, ora a Morte. Talvez seja disso que eu goste no tarô: nenhuma de nós precisa ser uma coisa só.
Nos divertimos tirando cartas umas para as outras, entre uma taça e outra, e seguimos nessa espécie de crença, um pouco no tarô, um pouco na sorte, um pouco na vida.

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Autor: Patricia Oliveira

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