Quem sou eu?

Moça com dúvida de tudo que se culpa por não aceitar e conviver com a diferença.

Quem sou eu?

Moça que tenta se expressar com desenhos, figuras, palavras, textos e corpo

só quer ficar no seu mundo, lugar imenso, mas ao mesmo tempo reservado, fechado e protegido

Quem sou eu?

Moça que sente raiva, ódio e tristeza do mundo e pelo mundo não ser como eu gostaria que fosse: doce, colorido, maternal e paternal

Quem sou eu?

Moça que não sabe ser doce, colorida e pouco maternal. Furiosa, romântica… às vezes sem cor

Quem sou eu?

Moça que quer um texto bonito e bem escrito, uma pintura bonita na moldura a mais bonita. Que ainda é o seu vigesimo rascunho

Quem sou eu?

Moça vazia e cheia ao mesmo tempo. Ora é folha branca. Ora é cor indefinida

Às vezes é som e muitas vezes é silêncio

Quem sou eu?

Moça esperta, brincalhona e interessante. Não, não me reconheço assim

Quem sou eu?

O grito, a amargura, o pensamento vazio ou cheio demais. Conexão e desconexão, pés no chão, pés no ar

Quem sou eu?

Moça carinhosa, culta, espevitada, atrevida, do coração grande. Não, não me reconheço

Quem sou eu?

Moça que descansa e que estuda, que cresce e que caminha por longas ruas, que chora quando tem medo, que grita em silêncio, que se torna pequena, média e grande em cinco segundos, que observa e vê o vazio, que olha de nova e vê luz, cor e felicidade, que pisca e tudo parece ruir.

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Autor: Patricia Oliveira

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