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Eu quero…

Acho que tudo que eu quero, você quer…
Mas é sobre mim. Eu quero me desvencilhar de você. Está forte.
Eu quero me atrever.
Eu quero o meu espaço do meu jeito.
Eu quero sumir, desaparecer, sem deixar vestígios.
Eu quero, eu quero, eu quero…
Eu não quero nada. Só não quero mais estar nessa confusão, nessa incerteza, nessa falta, nessa competitividade, nessa tristeza, nessa falta de ética.
Estou fazendo uma passagem, ainda não sei para onde.
Sinto que preciso morrer, para renascer. Sinto que preciso ir… sinto que…
Não sei o que eu sinto.
Estou despedaçada, em prantos.
Amargurada? Preciso ir… Preciso deixar ir.
Não sei como. Preciso de outro caminho.
Preciso morrer para nascer.

À Dona

Eu sinto muito por termos ficado tanto tempo lá.
Imagino o quão ruim essa situação pode ter sido para você. Ser dona de algo e não conseguir se apropriar disso como seu. Foi injusto com você. Não sei nem se enquanto estávamos lá pensamos em você, eu possível não, era muito pequena. Mas isso também foi injusto.
Brigas a todo o redor, afundados em dívidas, problemas e acusações era que se passava e no meio disso você, sem ter nada a ver.
Eu realmente sinto muito e peço desculpas, por mim e pela minha família.
Deixo o meu profundo sentimento de desgosto pelo o que aconteceu e desejo que você e os seus tenham uma boa caminhada.
Esse lugar foi tudo na minha vida, na minha infância.
Vivi os melhores e os piores momentos da minha vida lá.
Cada canto daquele espaço está na minha memória e vagueia pela minha mente e sonhos. Lá tem cheiro de infância e vazio, vazio da minha infância.
Não sei porque decidi ter dizer isso, talvez na tentativa de aliviar um pouco a situação, não sei bem.
Desejo tudo bem e que você encontre melhores pessoas que a minha familia no seu caminho.

Adeus.

Em um quarto de hotel

Estou em um hotel, aguardando duas pessoas convidadas por mim. As escolhi na internet. Estou as esperando de forma casual, informal, à vontade.
Passei agua de cheiro, estou pronta.
A roupa que usei ao longo do dia, está ali, bem perto, pendurada, uma roupa de tecido. Calça de tecido e blusa de botão. Me sinto bem com esse conjunto e também sem ele.
Marquei com essas pessoas com um intervalo de meia hora entre as duas.
Na internet pareciam bonitas, um corpo apreciável na minha opinião.
O telefone tocaiara avisar que a primeira chegou. Abro a porta, um beijo, parecia que já nos conhecíamos a muito tempo. Me sinto à vontade, cada vez mais… Se passam meia hora, a outra pessoa chega, eu bem a vontade, a outra pessoa não tanto, abro a porta, eu inicio um beijo como conhecidas; Sou a única bem à vontade no meio dessas pessoas.
Me coloco bem perto de uma delas, em quanto encosto parte do meu rosto na outra pessoa.
Me movo, peço algo, em quanto estou bem próximo da outra pessoa. Mostro o que quero e como quero.
Ok.
Enquanto elas se compõe digo o quero dessa vez, e usando algo que aponto ali na mesinha.
Elas gostam, demonstram atenção. Me deixo ir, pelo perfume, pelo momento, pelas pessoas. Tudo fica mais fácil de uma certa maneira, usando o que pedi para usar. Paciência e sentir….o momento. Viajo no momento.
Ok.
Ok.
As olhos dentro dos olhos, me movo, uma me olha e entende e faz o mesmo, se move, devagar.
Presentes e penetráveis, assim.

Pessoas tem loucuras diferentes

Querem chamar de loucura, mas só porque é mais fácil nomear, ao que foge aos sentidos.
Não me refiro à loucura do senso comum, ou, quem sabe, à mais presente.
Mas desejo falar da loucura que brilha, dotada de profundeza, que os ditos sãos não alcançam.
O que é ser louco?
Que tem muito contato com a alma? Palavras abruptas? Sem o controle social? A norma…
O que é ser louco? Essa pergunta persevera em mim…
Loucos… repito essa palavra, com todas as letras L O U C O S, repito com gosto
Com gosto de alma, com gosto de vida.
Loucos, loucas, loucxs… pode ser eu, você
Ao olhar de uns, “não pensantes”, ” sem razão”…
O que é ser louco?

Notas de uma parceria…

Não sei muito o porquê dessa carta, mas ela me veio nesse momento e decidi te escrever.
Primeiro queria dizer, muito obrigada. Você me ajudou muito no meu aprofundamento, me conhecer mais e perceber coisas em mim que até então não tinha conseguido ver. Não tem sido fácil esse reconhecimento, mas vejo a sua importância. A sua parceria tem sido fundamental, nesse ponto, me trazendo reflexos, espalhamentos e projeções. Sinto que essa parceria caminha para o fim, acho que você também sente isso, como poderemos dizer isso um ao outro?
Como é ter uma parceria com alguém que não faz mais sentido?
Entendo a sua posição de me cobrar, exigir igualdade, afinal falo muito sobre isso, igualdade nas desigualdades e acredito também que não dá só para ficar na fala, e você tem me ajudado a olhar para isso. Olhar e perceber o meu lugar nessa parceria tem sido interessante, sou a que faço a limpeza e cuido da manutenção? Me sinto muitas vezes controlando essa área, talvez, porque veja fazendo isso bem, algo preciso me ver fazendo bem. Porém, estar nesse lugar sempre, me traz uma ideia do quartinho dos fundos e você com o restante “da casa”. Um modelo de parceria de antigamente, homem no controle financeiro e a mulher com o restante. Anseio por igualdade. Seria só no discurso?
Mediante a problemas não ditos, não olhados entre nós, a jornada do meu auto-conhecimento tem sido solitária, eu tenho procurado espaços para me desenvolver. Deveríamos falar sobre a falta de tesão nessa parceria?
Quais são as nossas expectativas em relação ao outro?
Não tenho mais tanta vontade da sua presença, porém ansio por presenças, quero estar ao redor de pessoas que tenham o mesmo anseio. Sinto falta do meu passado, antes de conhecer, sabe aquele tempo?
Imagino que você também anseia por mais, isso não te incomoda?
Temos abertura para falar tudo um com outro, ou nossa parceria se restringe somente a um contrato, ao papel de cada um?
Você já cogitou a hipótese que certos pessoas ao seu redor não me interessa estar com eles? Já cogitou que a divisão nessa parceria está meio desigual? Acredito que para os dois lados…
Fico por aqui, com um obrigada, mas também percebendo que os nossos caminhos serão diferentes.

Patricia
(Nov/2021)